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Dois campeões nacionais no Estoril Open Fun Center 2007

Frederico Gil e Paulo Espírito Santo num momento histórico.

As centenas de crianças, jovens e adultos que na sexta-feira à tarde passaram pelo Estoril Open Fun Center tiveram oportunidade de assistir a um momento único na história do ténis. Dois campeões nacionais em título, Frederico Gil e Paulo Espírito Santo, jogaram um com o outro num dos campos de mini-ténis deste espaço criado pela ATP Tour e pela João Lagos Sport e coordenado pela Federação Portuguesa de Ténis com a intervenção dos alunos da Faculdade de Motricidade Humana. A particularidade do jogo? O facto de Gil ser o campeão absoluto de ténis e Espírito Santo o campeão de ténis de cadeira de rodas.

O objectivo do encontro foi mostar aos mais jovens e ao público em geral que independentemente da idade ou da condição físico-motora é possível praticar desporto, e em concreto, jogar ténis de forma apaixonada.

«Estivémos a brincar num campo de mini-ténis. É fácil divertirmo-nos quando estamos com o Frederico Gil, que conheço desde miúdo. Ele tem um coração maior do que o jogo dele e o seu jogo por si só já é imenso. É uma pessoa com uma capacidade humana enorme», começou por afirmar Paulo Espírito Santo, detentor do título nacional de ténis em cadeira de rodas.

«Ser campeão nacional é um caso fortuito. Por acaso comecei há mais tempo, fui o primeiro e por isso jogo um pouco mais. Como em tudo há que haver sempre um primeiro, alguém que jogue melhor para que os outros o queiram bater, só assim se evolui. Eu sinto que todos os dias evoluo, mas gostava imenso que surgissem mais atletas a jogar em cadeira de rodas», adiantou Espírito Santo, desde sempre jogador de ténis e praticante de vários outras modalidades, como o surf ou o hispismo. O acidente sofrido há vários anos deixou a prova de que é um sobrevivente, que tem um imenso amor pela vida, e continuou a praticar o seu desporto de eleição, o Ténis.

«O desporto é uma forma de integração social, económica e uma demonstração de que nós, portadores de deficiência e utilizadores de cadeira de rodas estamos prontos para o Mundo, o Mundo é que não está pronto para nós».

Afirma: «Sou um rapazito que passei os 50 há já quase 10 anos e este encontro aqui com o Gil serve para provar que todos, independentemente da idade ou da aptidão física, podem praticar desporto. Cada um adapta o desporto a si próprio. É verdade que os tenistas em cadeira de rodas jogam de forma mais lenta, mas também é verdade que nunca vi o Davidenko a jogar com a Neuza Silva ou a Frederica Piedade, ou seja, os homens têm uma versão de jogar e as senhoras outra, tal como os júniores, os séniores ou os tenistas em cadeiras de rodas têm a sua forma de jogar. A única diferença é que nós para jogarmos no campo com as medidas normais, devido à capacidade fisíco-motora, adoptamos a regra dos dos ressaltos. É essa a única diferença».

Paulo Espírito Santo conclui: «O poder público devia olhar para o desporto adaptado como uma inserção de 10 por cento da população portuguesa, que normalmente é marginalizada. Só um exemplo: Para chegar aqui ao Fun Center tive de vencer uma barreira de 8 degraus e estamos no Estádio Nacional. Muita coisa já mudou é certo, muito já foi feito, mas acredito que o facto de o ténis adaptado vir a entrar no projecto do desporto escolar é fundamental para o desenvolvimento e integração dos cidadãos cm deficiência».

Frederico Gil: «Este é o meu torneio»


Frederico Gil foi a estrela deste dia que passou pelo Fun Center, rodeado pelos mais novos, o tenista deu autógrafos e jogou com várias crianças nos courts de mini-ténis. Naquele que elege como o “seu torneio” Gil afirmou: «O Estoril Open foi mais um torneio em que consegui evoluir um bocadinho mais. Esta é de facto a minha prova, jogar em casa, ganhar e ver todas as pessoas a nosso favor é único».

Referindo-se ao encontro da primeira ronda em que eliminou o 55.º jogador do Mundo, Frederico avança: «Nenhum jogo é fácil, mas senti-me super confiante, com armas para poder defrontar seja quem for e manter-me calmo. Ter ganho na primeira ronda depois de no ano passado ter atingido os quartos-de-final é bom. Agora vou jogar um torneio do Circuito CIMA, em Vila Real de Santo António e depois parto para Zagreb, para um Challenger de 50 mil dólares, seguindo-se a qualificação para o Roland Garros. O meu planeamento passa por competir em várias provas internacionais, fazer algumas em Portugal como os Nacionais e os CIMA e evoluir e subir de nível. Se o conseguir também atingirei outro objectivo que é ir subindo no ranking ATP».

Para o tenista português o Fun Center é um espaço fundamental para os mais novos. «É muito importante a criançada poder estar a divertir-se, por muito que gostem de ténis, passar um dia inteiro a ver jogos é cansativo e no Fun Center podem divertir-se continuando o contacto com a modalidade. É assim que tem de ser e é assim que começa. Eu iniciei a brincar em casa, com uma raqueta de madeira que os meus tinham».

Alfredo Laranjinha: «Momento histórico»

Alfredo Laranjinha, técnico da FPT e responsável pela coordenação do Fun Center em colaboração com a organização do Estoril Open fez um balanço positivo de uma semana de Fun Center e estava particularmente feliz por ter conseguido juntar Frederico Gil e Paulo Espírito Santo.

«É um momento único ver dois campeões nacionais a jogar um com o outro. É  muito importante para o ténis nacional e para os jovens que estão aqui no Funcenter assistir a este jogo. É é imporante que as pessoas saibam que os portadores de deficiência têm possibilidade de viver a sua vida de forma menos condicionada e que nós podemos ajudá-los a torná-la menos condicionada. Para mim este é um momento para a história», afirmou.

«A Federação Portuguesa de Ténis tem tido contactos com o Centro de Alcoitão e fizemos já uma acção de promoção de ténis em cadeira de rodas, onde estiveram uma centena de pessoas, entre alunos e fisioterapeutas. Mas o ponto fundamental é que através do protocolo que assinámos como Desporto Escolar vai ser possível introduzir o ténis adaptado nas escolas e abrir a modalidade a crianças portadoras de deficiência. Vamos relançar a campanha de recolha das rolhas de plástico e acredito que conseguiremos arranjar cadeiras de rodas desportivas».

A terminar analisou o resultado do Fun Center: «Este Estoril Open Fun Center correu muito bem, o espaço está óptimo e o material que o ATP Tour montou aqui dá uma qualidade excelente à iniciativa. O piso da AFF com o colorido azul ajuda imenso e impede que a poeira habitual da terra batida se espalhe. A participação dos alunos da Faculdade de Motricidade Humana foi inexcedível, coordenados pelo professor César Coutinho e o trabalho desenvolvido a base do sucesso. Só espero que a Lagos Sport tenha oportunidade de poder continuar com o Estoril Open de forma a que para o ano possamos voltar a ter aqui um Fun Center para bem do ténis português».

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