Sobre a FPT

Desde o momento da introdução do ténis em Portugal até aos nossos dias passaram-se mais de 120 anos. Nas últimas 8 décadas os destinos do ténis nacional foram dirigidos pela Federação Portuguesa de Ténis, fundada em 16 de Março de 1925.

Quando os entusiastas de ténis, aglutinados em clubes maioritariamente localizados nas regiões de Lisboa e do Porto, quiseram alargar a sua actividade, nomeadamente com a realização de competições regulares, sentiram falta de um órgão centralizador, que coordenasse os seus esforços, até aí desgarrados. Daí começar a falar-se na criação de uma federação. Mas o factor decisivo que levou ao aparecimento da Federação Portuguesa de Lawn-Tennis foi o desejo de participar na Taça Davis, já lançada nos anos vinte como a grande competição por equipas do calendário internacional.

Fernando Beires do Vale foi um dos mais dinâmicos defensores da ideia de que os bons valores portugueses da altura precisavam de se tornar familiares aos adeptos do mundo tenístico, até aí desconhecedor da categoria de José de Verda, António Casanovas, Frederico de Vasconcelos, Frederico Ribeiro, Luís Ricciardi ou João Vila Franca. Mas para que Portugal aparecesse com uma selecção nacional era necessário criar primeiro o organismo central que depois estabeleceria os contactos com as instâncias internacionais.

António Gomes da Silva, Carlos Vilar e Afonso Vilar, Plácido Duro e Álvaro Costa lideraram os primeiros trabalhos para a constituição da federação, realizados ainda durante o ano de 1924. As reuniões efectuadas para o efeito nas instalações do Automóvel Clube de Portugal, então sitas no Palácio de Palmela, no Largo do Calhariz, em Lisboa, tiveram o seu desfecho natural a 16 de Março de 1925, quando a Assembleia Geral de Delegados dos Clubes de Ténis procedeu à eleição dos primeiros corpos gerentes da Federação Portuguesa de LawnTennis.

A primeira direcção era naturalmente presidida pelo «pai» do ténis português, Guilherme Pinto Basto, que tinha como seus vices Carlos Vilar, Cabral Pessoa e Fernando Beires do Vale. O secretário era Ernesto Bastos, o tesoureiro Henrique Anjos e Ernesto Navarro, Alves Sá e Afonso Vilar eram os vogais.

Criada a Federação, era necessário deitar mãos ao trabalho. E nos meses seguintes os novos responsáveis pelos destinos do ténis luso mostraram serviço: Portugal estreou-se na Taça Davis, recebendo a forte equipa de Itália, batendo-se galhardamente mas perdendo por 4-1; e os Campeonatos Nacionais tiveram a sua primeira edição, consagrando Frederico D'Orey, Angélica Plantier e as duplas António Casanovas/Frederico de Vasconcelos e Angélica Plantier / Frederico de Vasconcelos.

Com pequenos acertos ao longo dos anos, a direcção presidida por Guilherme Pinto Basto manteve-se em funções até 1934, contando, por exemplo, com a colaboração de Vasco Galvão, que assumiu as funções de Secretário Geral e integrou a Comissão de Propaganda.

Em Maio de 1933, escrevia-se na revista Tennis & Golf : "a actual Direcção da Federação Portuguesa de Lawn-Tennis (...) está trabalhando com grande entusiasmo e interesse de produzir trabalho útil. Todos os componentes do corpo directivo são pessoas bem conhecidas do meio desportivo: Guilherme Pinto Basto e Carlos Vilar são dos maiores pioneiros da causa da educaçãofísica, nomes respeitados por sucessivas gerações de desportistas que sempre encontraram neles o melhor apoio moral e material; Rodrigo de Castro Pereira, que já foi campeão de Portugal (em 1931) e ocupa ainda uma das primeiras posições entre os nossos melhores jogadores, é um trabalhador incansável, que tem sido a alma da Federação nos últimos anos; Ernesto Navarro, grande animador de ténis no Luso, é um bom conselheiro que a Federação ouve sempre com muito respeito, pelo superior critério e absoluta independência que presidem às suas opiniões; José de Mascarenhas, tenista da velha guarda, é o guardião máximo dos interesses financeiros da Federação; António Simões, grande 'leão', é também um valioso elemento com que a F.P.L.T. conta; J.M.Serra e Moura, António de Noronha e Adriano de Faro Viana, vogais da direcção, completam dignamente este punhado de homens de desporto que o ténis nacional, numa hora feliz, conseguiu reunir para lhes entregar as rédeas da sua governação".

A 18 de Janeiro de 1934 foi eleita nova direcção, desta feita presidida por Rodrigo Castro Pereira. A mudança prendia-se com o facto de Guilherme Pinto Basto e o seu primeiro Vice-Presidente, Carlos Vilar, desejarem pôr termo à sua actividade à frente dos destinos da F.P.L.T . Os delegados de nove clubes (Sporting Clube de Cascais, Sport Lisboa e Benfica, Sporting Clube de Portugal, Luso Tennis Clube, Lawn-Tennis International, Tennis Clube da Figueira da Foz, Estoril Park Tennis, Clube Internacional de Futebol e Curia Palace Sports Club) procederam à eleição dos novos corpos gerentes, aprovando igualmente a proposta do novo Vice-Presidente, Alberto Amado, de que fossem criados os títulos de Presidente Honorário e Consultor Técnico Honorário, a preencher por Guilherme Pinto Basto e Carlos Vilar, respectivamente.

Aqui se reproduz a alocução então feita por Vasco Galvão, que por si espelha aquilo que foi o trabalho da primeira direcção: "Ao cabo de nove anos, cheios de canseiras pelo desenvolvimento do ténis português, alguns membros da primeira direcção da Federação vão ser substituídos depois de uma actuação intensa em prol do nosso ténis. Guilherme Pinto Basto, presidente da direcção da F.P.L.T. desde a sua fundação, figura de um relevo desportivo entre nós nunca igualado, tem jus, tem direito a um mais alto posto no ténis nacional. A próxima Assembleia Geral Ordinária da F.P.L.T. deve elegê-lo seu Presidente de Honra. Carlos Vilar, Vice-Presidente da F P.L.T. também desde a sua fundação, elemento de grande prestígio no meio desportivo em geral, merece também uma homenagem. A este grande propagandista da disciplina desportiva deverá a referida Assembleia Geral eleger seu Consultor Honorário. Ernesto Júlio Navarro que, como os dois nomes antecedentes, vem sendo membro da mesma direcção desde a fundação da Federação, merece também as melhores homenagens. Rodrigo Castro Pereira, a alma da direcção da F.P.L.T. nestes últimos quatro anos, temperamento activo e inteligente e de quem a Federação muito tem ainda a esperar. O mesmo diremos de Serra e Moura que este ano prestou no seu lugar de membro da direcção serviços inesquecíveis, como o da confecção do calendário de provas oficiais, etc.. José de Mascarenhas, tenista da velha guarda de que ainda este ano foi necessário lançar mão para a conquista da Taça Pinto Basto pelo Sporting Club de Cascais, é, pelo seu afastamento das lides activas e pelas suas grandes qualidades de carácter e de inteligência o melhor guardião dos dinheiros da F.P.L.T.. Adriano Faro Viana, pelo seu muito interesse pelo ténis e pelo superior critério que põe no estudo dos vários problemas que se oferecem é, também, um elemento a conservar na direcção da F P.L.T ".

Nas três décadas seguintes os destinos da Federação foram mudando de mãos, mas até 1962 apenas houve três novos presidentes da direcção - em 1941 foi eleito António Ferro, que em 1946 seria substituído no cargo por André Navarro; quatro anos depois voltaria a ser presidente Rodrigo Castro Pereira, para em 1952 ceder o lugar a Joaquim Miguel de Serra e Moura; finalmente, em 1962 tomou posse José Herédia, que no ano seguinte deu novamente início à participação regular de Portugal na Taça Davis.

A direcção de José Herédia manteve-se em funções até ao pós-25 de Abril, para em 1976 o responsável máximo passar a ser Manuel Cordeiro dos Santos. De então para cá sucederam-se seis presidentes : Armando Rocha, eleito em 1981; Alexandre Vaz Pinto (1985); José Manuel Castro Rocha (1989); novamente Manuel Cordeiro dos Santos (1991); Manuel José Marques da Silva (1993); Paulo de Andrade (1997); Pedro Coelho (2001); Manuel Valle-Domingues (2003); José Corrêa de Sampaio (2005); José Maria Calheiros (2009); José Corrêa de Sampaio (2011) e Vasco Costa, actual Presidente (2013).

Ao longo da sua história de mais de 75 anos, a Federação Portuguesa de Ténis teve 14 presidentes. Mas muita coisa mudou em oito décadas - hoje em dia a F.P.T é um organismo complexo, com diversos departamentos e pelouros. De pouco mais de uma dúzia de clubes existentes aquando da sua fundação, passou-se para mais de 300 actualmente filiados. Por seu turno, os clubes estão reunidos em 13 Associações - representando os distritos de Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Leiria, Lisboa, Porto, Setúbal, Vila Real e Viseu; as províncias do Algarve e Alto Alentejo; e as regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. O processo associativo teve início em 1980 - no dia 24 de Outubro desse ano foi oficialmente criada a primeira Associação Regional, em Lisboa.

De modalidade com poucos praticantes, no início do século, o ténis transformou-se radicalmente a partir da segunda metade dos anos 70. O Ténis está largamente difundido, estimando-se em cerca de  150.000 o número de praticantes, oriundos de todos os cantos de Portugal.

Copyright © 2017 - Federação Portuguesa de Ténis

Todos os direitos de reprodução reservados. Nenhuma parte deste site pode ser vendida ou reproduzida por qualquer sistema ou meio (inclui fotografias ou vídeos) sem a autorização por escrito à Federação Portuguesa de Ténis.