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Entrevista a Domingos de Avillez

19 de Abril de 2007

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O Ténis em Portugal perdeu uma das suas figuras mais carismáticas -Domingos de Avillez. A Federação Portuguesa de Ténis reedita, em tributo, uma entrevista para recordar um dos grandes impulsionadores da modalidade.


Diz uma lenda oriental que para se construir o futuro nunca se pode deixar de olhar para o passado. Domingos Avillez foi durante longos anos a imagem do Ténis português. Agora com “92” primaveras o tenista luso continua a ter a mesma jovialidade que o caracterizavam no campo. Sem pressas e com grande simpatia foi falando da sua ligação ao Ténis.

Domingos Avillez nasceu em 1914 e assistiu aos primeiros jogos de ténis com apenas 10 anos, no Club da Parada (o Sporting Club de Cascais, berço do lawn-tennis), por onde passaram os grandes campeões da época. Gostou da modalidade e com uma raqueta de madeira aos 16 anos conquistou o seu primeiro troféu. Sagrou-se campeão de Portugal, venceu vários torneios realizados no estrangeiro, foi seleccionador nacional, juiz-árbitro e director da Federação.

Com uma memória prodigiosa, Domingos de Avillez foi contando as suas histórias. Um álbum de fotografias constitui um dos mais ricos “espólios” do ténis português. Ali estão fotos de jogadores portugueses e estrangeiros, recortes de jornais, já amarelecidos pelo passar do tempo, com notícias e rankings de Portugal e da Europa de 1931 e 1932. Entre as recordações não faltam as fotos que marcam a presença do Rei D. Juan Carlos em Portugal, quando também Sua Majestade jogava “o ténis” na Parada. Domingos bem como Babette, sua companheira de mais de 70 anos com quem teve sete filhos.... «Quando tinha 10 anos comecei a ver jogar ténis na Parada, onde se realizaram uns torneios com vários jogadores estrangeiros, dos melhores que havia na altura. Casos da Suzanne Lenglen ou Manuel Alonso. Aos 16 anos pedi ao meu pai, que era director do Club da Parada, para participar no Torneio dos Novos e ganhei na final a um jogador de 21 anos. Essa foi a minha primeira vitória».

Nessa altura Domingos Avillez começou a receber lições de Vasco Galvão, o primeiro português a interessar-se pela modalidade na perspectiva do treino e do ensino. Vasco Galvão que se destacou ainda como director e jornalista «O Vasco tinha viajado para Inglaterra onde durante um mês tirou um curso de ténis e depois começou a dar aulas em Lisboa. Era o único naquela a época a viver do ténis».

Passados os anos conturbados da implantação da Republica e da I Grande Guerra começaram a surgir em Portugal novos talentos... «A partir de 1920 já se jogava muito ténis em Portugal. O primeiro campeão foi o Frederico D’Orey, depois o João Vilafranca e o José de Verda. Com estes não cheguei a jogar, mas joguei com António Casanovas, José Roquete, Vasco Horta e Costa, Frederico Ribeiro, Rodrigo Castro Pereira e Eduardo Ricciardi”.

Os Portugueses eram melhores no ténis que os Espanhóis

Ao longo dos anos Avillez foi somando títulos... «Venci quase todos os torneios que se realizavam em Lisboa. Só nunca ganhei no Porto, mas venci ainda na Figueira da Foz, Pedras Salgadas, no Luso, Cúria, Praia da Rocha, Estoril e Cascais. Ganhei o primeiro Campeonato de Portugal ao vencer na final o Vasco Horta e Costa, um jogo que teve cinco partidas, muito longo para a época. Também fui campeão em Vigo e mais tarde ganhei o Portugal-Espanha. Nesta altura os portugueses eram melhores do que os espanhóis».

Avillez recordou ainda as mulheres jogadoras - Angélica Plantier, Gabriela Cantarino, Teresa Cunha .. «As senhoras também jogavam ténis. A Plantier era a nossa melhor jogadora e chegou a jogar com a francesa Suzanne Lenglen, um mito do ténis feminino. A Babette também jogava e chegámos a fazer “mix doubles” em alguns torneios. Depois do casamento e com os filhos é que deixou de jogar».

Parecia mal colocar a bola na algibeira

Desde sempre o ténis foi um desporto de cavalheiros e ligado à aristocracia, que vivia intensamente as tardes passadas na Parada. O traje era a rigor... «O jogadores usavam calça branca comprida e só mais tarde começaram a aparecer os calções, também compridos. Normalmente vestíamos cor branca ou branca e azul. Parecia mal meter a bola na algibeira no momento do serviço. A primeira vez que vi um jogador meter as bolas na algibeira foi em Angola. Durante um jogo vi um estrangeiro servir um uma bola e meter as outras no bolso. Parecia mal à época fazer isso e eu nunca o fiz, sempre que servia e jogava mantinha as bolas na mão».

Entretanto começaram a aparecer novos talentos que tinham passado pelo ténis como apanha-bolas. Nomes com o de Alípio Silva que acabaram por vingar no ténis... «Era normal haver apanha-bolas nos jogos e foram eles que começaram também a interessar-se pela modalidade. Foi o início da socialização do ténis».

Domingos de Avillez continuou a jogar até 1941. «Casei, fui para Santarém, porque sou engenheiro agrónomo e acabei por deixar de jogar em competição, só jogava por prazer. Fui Seleccionador Nacional, na altura em que jogavam o José Silva, o David Cohen e o Azevedo Gomes. Lembro-me que levámos uma tareia dos jugoslavos, que eram muito fortes. Também cheguei a integrar a direcção da federação e fui juiz-árbitro».

Entre amigos era o “felosa”, pela sua estatura delgada. Agora continua a acompanhar o ténis. «Gosto de ver os Grand Slam. Mas o ténis hoje pode ser algo desconsolador. Os jogadores são muito violentos, deviam aumentar a altura da rede para bem da modalidade. Para mim o melhor jogador de sempre foi o Pete Sampras e em senhoras a Jennifer Capriati».

Sobre os portugueses adianta: «Vejo às vezes, já não posso acompanhar tanto, mas sei que há bons tenistas».


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