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Entrevista a Rui Machado


“A partilha coletiva de sucesso é na Davis”

Oficializado como capitão da Taça Davis no final de outubro, Rui Machado, que sucede a Nuno Marques, fala dos objetivos para 2019 e aborda muitos temas interessantes ao longo de uma entrevista para “Notícias do Ténis”.

NT – O que significa para si a Taça Davis?

RM – Em primeiro lugar, a Taça Davis é a competição máxima por equipas a nível mundial. É uma prova cheia de tradição com mais de cem anos e a grande responsabilidade que temos é representar a Seleção Nacional ao mais alto nível. Somos um país carregado de história e o próprio hino nacional transmite-nos essa grandeza histórica. Quando se é muito novo por vezes não temos a noção, mas mais tarde e em pouco tempo vemos que tudo está ligado: a nossa identidade, o desejo de afirmação e o querer ganhar.

NT – É um sentimento muito forte como jogador e capitão?

RM – Apenas posso falar na situação que vivi por dentro como jogador. Queremos ganhar, mas também queremos partilhar o sucesso com os colegas, equipa técnica, federação e adeptos do ténis. Isto envolve muita gente. Diria que a maior partilha de sucesso acontece na Taça Davis. É, na realidade, um sentimento muito forte.

NT – Como foi a primeira chamada em 2003? Surpreendido?

RM – De certa forma já estava à espera, pois estava a fazer alguns bons resultados. Digamos que foi uma convocatória natural. Fui o nº 2 da Seleção Nacional, a seguir ao Hélder Lopes e a estreia aconteceu fora frente à África do Sul.

NT – Sentiram que essa era a última eliminatória com José Vilela ao leme da equipa?

RM – Nessa altura vivia e treinava em Espanha e não me lembro que era uma Comissão de Gestão que estava à frente da direção da federação. Mas o José Vilela não escondeu e assumiu na África do Sul que era a última vez que dirigia a equipa. Isso esteve sempre presente.

NT – Também pressentiu que a saída do Nuno Marques estava iminente após a recente eliminatória com a África do Sul?

RM – Essa era uma situação interna e já tinha ouvido falar nisso. A situação profissional do Nuno Marques não possibilitou a sua continuidade, mas esperava que tudo isso pudesse ter sido repensado a contento.

NT – O facto de orientar Pedro Sousa no CAR Jamor Santa Casa não foi um problema?

RM – Nada disso. O Pedro Sousa integra a estrutura da federação desde há algum tempo e esse assunto nem sequer chegou a estar em cima da mesa.

NT – Geralmente quem inicia uma função pretende introduzir novidades. Quais vão ser essas novidades em termos de Taça Davis?

RM – Quem me conhece sabe que não tomo decisões por impulso e prefiro fazer uma análise cuidada de toda a situação. Fiz isso quando entrei para o CAR. Procedemos a algumas alterações, nomeadamente a mudança de horários, grau de exigência, e mantivemos, por outro lado, muita coisa. O que pretendo para a Taça Davis é que os atletas se sintam bem e tenham um bom ambiente.

NT – Isso traduz-se em quê, concretamente?

RM – Que o ambiente seja saudável, tentar personalizar a programação e fazê-los sentir confortáveis. Tenho de saber ouvir os jogadores sobre as suas rotinas de treinos e nos dias de jogos.

NT – Na Taça Davis é mais complicado jogar em casa ou fora?

RM – Claramente que é mais difícil jogar fora de casa. Em Portugal temos a situação mais controlada. Ficamos no hotel que queremos, temos a nossa comida preferida, facilidade de transportes e se surge algum problema tudo se resolve num instante. A federação tem uma equipa profissional muito experiente nesta área.

NT – Como jogador já passou por situações menos agradáveis na Taça Davis em eliminatórias fora?

RM – Por exemplo, na Moldávia, a equipa de juízes-de-linha não era minimamente isenta. Não só pelas decisões, mas pelo que se viu. Saíam do campo e iam para a bancada juntar-se aos adeptos sem qualquer problema e vice-versa. É claro que não se podia pedir isenção. Numa outra eliminatória em Israel também tivemos problemas com a comida, que era congelada previamente.

NT – Olhando para a frente, qual é o futuro desta Seleção Nacional?

RM – Não tenho qualquer dúvida que vamos ter esta equipa ao mais elevado nível por mais cinco anos. Agora consegue-se jogar até mais tarde e todos eles são excelentes profissionais. Por outro lado, temos um grupo de jovens jogadores bem classificados e a história diz-nos que às vezes temos boas surpresas.

NT – Qual é a imagem que o ténis português tem no estrangeiro?

RM – Houve uma mudança muito grande. Felizmente, o nosso ténis tem uma boa imagem em várias áreas. Somos bem organizados, temos uma boa capacidade de resposta aos projetos que nos são lançados e apresentamos um trabalho sustentado. Os nossos níveis de organização são muito bons. A imagem do Millennium Estoril Open é francamente positiva e ao nível do desenvolvimento e formação temos projetos de referência que são muito reconhecidos internacionalmente.

NT – Desde que está à frente do CAR Jamor Jogos Santa Casa nota-se uma total sintonia com a direção da federação. É uma empatia ou prova de confiança?

RM – Não é apenas uma empatia pessoal. Defendo que temos de partilhar os mesmos valores de ambição e ter a mesma capacidade de trabalho e objetivos, criando condições para o sucesso. Confio bastante na minha equipa técnica e tenho sempre presente que cabe à direção da federação validar as minhas propostas. Quando isso acontece, o trabalho flui naturalmente.

 

QUEM É

Rui Machado

Nascimento: 10 abril de 1984

Naturalidade: Faro

Altura e Peso: 1,78 m e 70 kg

Melhor ranking ATP: 59º (2011)

Vencedor de 8 torneios Challenger e 18 torneios ITF

Campeão de Portugal em 2005, 2008, 2013 e 2014

 

 

Norberto Santos, jornalista

 

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